Cada quadro vem com o número de artigos que o NLM indexou como causado por droga, o número de notificações no FAERS quando existe, e o grau de evidência que os dois sustentam.
Disgrafia e afasia de expressão dias depois da infusão de CAR-T ou do anticorpo biespecífico, geralmente na esteira da síndrome de liberação de citocinas. Evolui para rebaixamento e convulsão; a escala à beira do leito serve para pegar antes disso.
Diagnóstico de exclusão e a causa nº 1 de insuficiência hepática aguda no Ocidente. O padrão (hepatocelular, colestático ou misto) pelo R de Hy orienta a gravidade.
Achado de eletrocardiograma, não doença. Importa porque é o degrau antes da torsades, e porque se soma: duas drogas de risco moderado valem uma de risco alto.
Infiltrado intersticial que aparece semanas a meses depois da droga e regride quando ela sai. É o padrão mais comum de toxicidade pulmonar e o mais confundido com infecção — o que decide é a retirada, não o antibiótico.
Queimadura desproporcional à exposição, restrita à área de sol. Fototóxica (dose-dependente, na primeira exposição) ou fotoalérgica (precisa de sensibilização prévia).
Doença ativa a partir do bacilo que já estava lá, semanas a meses depois de começar anti-TNF, corticoide em dose alta ou outro imunossupressor. Rastrear infecção latente ANTES é a única parte que depende de quem prescreve.
Queda da fração de ejeção por dano direto ao miócito. Dose-dependente nas antraciclinas e, em parte, reversível se pega cedo — daí o ecocardiograma antes e durante, não depois.
Granuloma não caseoso com adenopatia hilar que abre depois de interferon, anti-TNF ou inibidor de checkpoint. Regride com a retirada, o que a sarcoidose de verdade não faz.
Exantema com febre, eosinofilia e hepatite, duas a oito semanas depois do início. Demora a aparecer e demora a sair: pode piorar mesmo depois da suspensão.
Com os inibidores de checkpoint deixou de ser curiosidade: é rara, precoce e tem letalidade alta. Troponina que sobe nas primeiras semanas de imunoterapia é isso até prova em contrário.
Descompensação por retenção de sódio ou inotropismo negativo, sem dano estrutural novo. Diferente da cardiomiopatia: aqui a droga precipita, não destrói.
Febre, rash e infiltrado pulmonar na virada da neutropenia, com o enxerto pegando. Fator estimulador de colônias antecipa e intensifica; responde rápido a corticoide, e a armadilha é tratar como sepse e esperar.
Rara e a mais letal das reações ao anti-PD-1: aparece nas primeiras seis semanas, muitas vezes junto de miosite e miastenia, e a troponina sobe antes de qualquer sintoma. Fração de ejeção normal não afasta. Corticoide em pulso na suspeita.
Diarreia que vira urgência e sangue em semanas, mais frequente e mais grave com anti-CTLA-4 do que com anti-PD-1. Antidiarreico atrasa o diagnóstico; corticoide precoce e infliximabe no refratário evitam a perfuração.
Sinal não é incidência, e não é diagnóstico. O FAERS é notificação espontânea: não sabe quantos pacientes tomaram o remédio sem nada acontecer. O que esta página diz é que, diante de um paciente com um destes quadros, vale perguntar por esta substância.