Miocardite por inibidor de checkpoint
Que fármacos causam miocardite por inibidor de checkpoint? Com a evidência mais forte: nivolumabe e pembrolizumabe, entre 12 substâncias.
Rara e a mais letal das reações ao anti-PD-1: aparece nas primeiras seis semanas, muitas vezes junto de miosite e miastenia, e a troponina sobe antes de qualquer sintoma. Fração de ejeção normal não afasta. Corticoide em pulso na suspeita.
CID-10: I40.8 — Outras miocardites agudas
Fármacos com literatura ou sinal
12 substâncias (11 com registro no Brasil), da evidência mais forte para a mais fraca. Quem entra na lista é quem tem artigo ligando o fármaco ao quadro — o FAERS entra quando tem número.
Este quadro não tem cabeçalho próprio no MeSH, o vocabulário com que o NLM indexa o PubMed — existe na clínica e não no vocabulário. Sem cabeçalho não há onde pendurar o rótulo causado por droga, então a contagem ao lado vem de achar o quadro no título ou no resumo. O link leva à mesma busca. Aqui não há proporção a tirar: o quadro já é medicamentoso por definição, e quem separa o achado do ruído é o número de artigos e o ROR ao lado.
| Substância | Evidência | Artigos | Relatos | ROR (IC 95%) |
|---|---|---|---|---|
| Nivolumabe | AEstabelecido | 19 | 497 | 104,2 (93,6–116) |
| Pembrolizumabe | AEstabelecido | 12 | 734 | 185,3 (167,5–205) |
| Ipilimumabe | CPossível | 8 | 280 | 109,5 (96,1–124,7) |
| Metilprednisolona | CPossível | 3 | 42 | 3,4 (2,5–4,7) |
| Abatacepte | CPossível | 3 | 11 | 1,1 (0,6–2) |
| Tremelimumabe | CPossível | 2 | 36 | 120,1 (86,2–167,4) |
| Durvalumabe | CPossível | 2 | 93 | 67 (54,3–82,6) |
| Axitinibe | CPossível | 2 | 34 | 24,5 (17,4–34,4) |
| Bevacizumabe | CPossível | 2 | 47 | 5,1 (3,8–6,8) |
| Tofacitinibe | CPossível | 2 | — | — |
| Fluordesoxiglicose F18sem registro no Brasil | CPossível | 2 | — | — |
| Tocilizumabe | CPossível | 2 | — | — |
Artigos: quantos o NLM indexou como miocardite por inibidor de checkpoint causada por droga, sobre o total de artigos que ligam o fármaco ao quadro. O link abre a mesma busca e devolve o mesmo número. Relatos: notificações no FAERS que citam os dois. ROR: quantas vezes o par aparece junto além do esperado, com o intervalo de confiança de 95%.
O travessão não quer dizer zero: quer dizer que a openFDA não devolve o fármaco entre os mais notificados desta reação, e sem os dois números do FAERS não há ROR para calcular.
O grau de evidência
- AEstabelecidoa literatura indexada sustenta a causa e tem volume (10 artigos ou mais), e a notificação espontânea mostra desproporção — as duas bases, não uma.
- BProvávela literatura indexada sustenta a causa sozinha: pelo menos 3 artigos, e a proporção deles sobrevive ao próprio intervalo de confiança.
- CPossívelhá artigo que indexa o quadro como causado por droga, mas a proporção não separa causa de coincidência — ou o sinal veio só da notificação.
Nada disso é incidência: notificação espontânea não tem quantos pacientes foram expostos, e artigo publicado mede interesse tanto quanto frequência. Um número alto diz que vale perguntar pelo fármaco, não que ele é a causa neste paciente.
Dados de 2026-09-21.