Doença hepática gordurosa não alcoólica por medicamento

Que fármacos causam doença hepática gordurosa não alcoólica? Com a evidência mais forte: bifenilos policlorados, arsênio, tamoxifeno, frutose, microplásticos e cádmio, entre 104 substâncias.

Quadro sem termo correspondente no FAERS: a evidência aqui é só a literatura indexada, então o grau não passa de B (provável) — não por ser fraca, mas porque falta a segunda base para chegar a A.

CID-10: K76.0 Degeneração gordurosa do fígado não classificada em outra parte

Fármacos com literatura ou sinal

104 substâncias (38 com registro no Brasil), da evidência mais forte para a mais fraca. Quem entra na lista é quem o NLM indexou como causa — o FAERS entra quando tem número.

SubstânciaEvidênciaArtigosRelatosROR (IC 95%)
Bifenilos policloradosnão é medicamentoBProvável18 de 30
Arsênionão é medicamentoBProvável10 de 19
TamoxifenoBProvável9 de 15
Frutosesem registro no BrasilCPossível33 de 451
Microplásticosnão é medicamentoCPossível9 de 20
Cádmionão é medicamentoCPossível9 de 33
Microcistinasnão é medicamentoCPossível8 de 16
Material particuladonão é medicamentoCPossível7 de 40
Tetracloreto de carbononão é medicamentoCPossível6 de 77
Dibenzodioxinas policloradasnão é medicamentoCPossível6 de 16
ParacetamolCPossível5 de 25
Benzo(a)pirenonão é medicamentoCPossível5 de 9
Valproatosem registro no BrasilCPossível5 de 12
OlanzapinaCPossível5 de 10
DexametasonaCPossível5 de 10
MetotrexatoCPossível5 de 20
CafeínaCPossível5 de 39
Chumbonão é medicamentoCPossível4 de 15
Manganêsnão é medicamentoCPossível3
Etanolsem registro no BrasilCPossível3
NicotinaCPossível3
Glicosesem registro no BrasilCPossível3
Metioninasem registro no BrasilCPossível3
Poliestirenonão é medicamentoCPossível3
Hidrocarbonetos aromáticos policíclicosnão é medicamentoCPossível3
Tiloxapolsem registro no BrasilCPossível3
Ácido obeticólicosem registro no BrasilCPossível3
Estreptozocinasem registro no BrasilCPossível2
Glutamato monossódiconão é medicamentoCPossível2
Dextranasem registro no BrasilCPossível2
Ácido desoxicólicosem registro no BrasilCPossível2
Cloroquinasem registro no BrasilCPossível2
FluoxetinaCPossível2
TetraciclinaCPossível2
Nanotubos de carbononão é medicamentoCPossível2
Sirolimussem registro no BrasilCPossível2
Glifosatonão é medicamentoCPossível2
Emissões veicularesnão é medicamentoCPossível2
Estrogêniossem registro no BrasilCPossível1
Toremifenosem registro no BrasilCPossível1
Estrogênios conjugadossem registro no BrasilCPossível1
Raloxifenosem registro no BrasilCPossível1
Clorobutanolsem registro no BrasilCPossível1
Mipomersenosem registro no BrasilCPossível1
Colinasem registro no BrasilCPossível1
Ftalato de dibutilasem registro no BrasilCPossível1
IvermectinaCPossível1
Cobaltonão é medicamentoCPossível1
Clorpirifósnão é medicamentoCPossível1
DapagliflozinaCPossível1
Dióxido de nitrogênionão é medicamentoCPossível1
SilimarinaCPossível1
TopiramatoCPossível1
Fenilenodiaminasnão é medicamentoCPossível1
Vitamina Esem registro no BrasilCPossível1
Hidroxicloroquinasem registro no BrasilCPossível1
Acido acetilsalicilicoCPossível1
MedroxiprogesteronaCPossível1
Tianfenicolsem registro no BrasilCPossível1
Aflatoxina B1não é medicamentoCPossível1
PropilparabenoCPossível1
PropiltiouracilaCPossível1
Ácido cólicosem registro no BrasilCPossível1
MirtazapinaCPossível1
Sílicanão é medicamentoCPossível1
Mercúrionão é medicamentoCPossível1
Ácido 2,4-diclorofenoxiacéticonão é medicamentoCPossível1
LisinaCPossível1
Acrilonitrilanão é medicamentoCPossível1
Polietilenoglicolsem registro no BrasilCPossível1
AtorvastatinaCPossível1
Oxitetraciclinasem registro no BrasilCPossível1
DDEnão é medicamentoCPossível1
OxaliplatinaCPossível1
Aflatoxinasnão é medicamentoCPossível1
Citrato férrico de amôniosem registro no BrasilCPossível1
Estavudinasem registro no BrasilCPossível1
IsoniazidaCPossível1
AmiodaronaCPossível1
VincristinaCPossível1
AsparaginaseCPossível1
PrednisonaCPossível1
DaunorrubicinaCPossível1
Emtricitabinesem registro no BrasilCPossível1
LamivudinaCPossível1
Raltegravirsem registro no BrasilCPossível1
AbacavirCPossível1
EfavirenzCPossível1
Pratasem registro no BrasilCPossível1
Goma guarsem registro no BrasilCPossível1
IrinotecanoCPossível1
GlicinaCPossível1
ImiquimodeCPossível1
DulaglutidaCPossível1
LosartanaCPossível1
Resmetiromsem registro no BrasilCPossível1
Ocratoxinasnão é medicamentoCPossível1
Cloreto de cádmionão é medicamentoCPossível1
Dioxinasnão é medicamentoCPossível1
Ftalato de dietil-hexilanão é medicamentoCPossível1
CanabidiolCPossível1
CalcitriolCPossível1
Remdesivirsem registro no BrasilCPossível1
NivolumabeCPossível1

Artigos: quantos o NLM indexou como doença hepática gordurosa não alcoólica causada por droga, sobre o total de artigos que ligam o fármaco ao quadro. O link abre a mesma busca e devolve o mesmo número. Relatos: notificações no FAERS que citam os dois. ROR: quantas vezes o par aparece junto além do esperado, com o intervalo de confiança de 95%.

O travessão não quer dizer zero: quer dizer que a openFDA não devolve o fármaco entre os mais notificados desta reação, e sem os dois números do FAERS não há ROR para calcular.

O grau de evidência

  • AEstabelecidoa literatura indexada sustenta a causa e tem volume (10 artigos ou mais), e a notificação espontânea mostra desproporção — as duas bases, não uma.
  • BProvávela literatura indexada sustenta a causa sozinha: pelo menos 3 artigos, e a proporção deles sobrevive ao próprio intervalo de confiança.
  • CPossívelhá artigo que indexa o quadro como causado por droga, mas a proporção não separa causa de coincidência — ou o sinal veio só da notificação.

Nada disso é incidência: notificação espontânea não tem quantos pacientes foram expostos, e artigo publicado mede interesse tanto quanto frequência. Um número alto diz que vale perguntar pelo fármaco, não que ele é a causa neste paciente.

Dados de 2026-09-21.