Porfiria hepática por medicamento

Que fármacos causam porfiria hepática? Com a evidência mais forte: dibenzodioxinas policloradas, tamoxifeno, griseofulvina, furosemida, naproxeno e desogestrel, entre 67 substâncias.

Quadro sem termo correspondente no FAERS: a evidência aqui é só a literatura indexada, então o grau não passa de B (provável) — não por ser fraca, mas porque falta a segunda base para chegar a A.

CID-10: E80 Distúrbios do metabolismo da porfirina e da bilirrubina

Fármacos com literatura ou sinal

67 substâncias (38 com registro no Brasil), da evidência mais forte para a mais fraca. Quem entra na lista é quem o NLM indexou como causa — o FAERS entra quando tem número.

SubstânciaEvidênciaArtigosRelatosROR (IC 95%)
Dibenzodioxinas policloradasnão é medicamentoBProvável6 de 9
TamoxifenoBProvável4 de 4
Griseofulvinasem registro no BrasilCPossível4 de 15
FurosemidaCPossível3
NaproxenoCPossível3
DesogestrelCPossível2
Hidroxicloroquinasem registro no BrasilCPossível2
Ácido delta-aminolevulínicosem registro no BrasilCPossível2
EstradiolCPossível2
RitonavirCPossível2
Nabumetonasem registro no BrasilCPossível2
Valproatosem registro no BrasilCPossível2
Bifenilos policloradosnão é medicamentoCPossível2
Clorazepato dipotássicosem registro no BrasilCPossível2
MetotrexatoCPossível2
Pravastatinasem registro no BrasilCPossível2
PropofolCPossível2
EtonogestrelCPossível1
SofosbuvirCPossível1
LedipasvirCPossível1
GivosiranaCPossível1
Chumbonão é medicamentoCPossível1
NitrofurantoínaCPossível1
OlanzapinaCPossível1
TriptofanoCPossível1
FenobarbitalCPossível1
BicalutamidaCPossível1
DidrogesteronaCPossível1
Melperonasem registro no BrasilCPossível1
Atazanavirsem registro no BrasilCPossível1
EfavirenzCPossível1
TetraciclinaCPossível1
Rifampicinasem registro no BrasilCPossível1
PropafenonaCPossível1
MitotanoCPossível1
Olmesartana medoxomilaCPossível1
SibutraminaCPossível1
RibavirinaCPossível1
Alfapeginterferona 2bsem registro no BrasilCPossível1
CiprofloxacinoCPossível1
Etanolsem registro no BrasilCPossível1
LamivudinaCPossível1
Tipranavirsem registro no BrasilCPossível1
ClomifenoCPossível1
NifedipinaCPossível1
PrimidonaCPossível1
Tricloroetilenosem registro no BrasilCPossível1
Clorambucilasem registro no BrasilCPossível1
Indinavirsem registro no BrasilCPossível1
DapsonaCPossível1
DiazepamCPossível1
CiclofosfamidaCPossível1
MetoclopramidaCPossível1
Anlodipinosem registro no BrasilCPossível1
Estrogêniossem registro no BrasilCPossível1
ProgesteronaCPossível1
Anfetaminasem registro no BrasilCPossível1
Cloroquinasem registro no BrasilCPossível1
CarbamazepinaCPossível1
FenitoínaCPossível1
Estreptozocinasem registro no BrasilCPossível1
CarisoprodolCPossível1
Noretindronasem registro no BrasilCPossível1
Metandrostenolonasem registro no BrasilCPossível1
Lovastatinasem registro no BrasilCPossível1
5-Fluorouracilasem registro no BrasilCPossível1
Dietilestilbestrolsem registro no BrasilCPossível1

Artigos: quantos o NLM indexou como porfiria hepática causada por droga, sobre o total de artigos que ligam o fármaco ao quadro. O link abre a mesma busca e devolve o mesmo número. Relatos: notificações no FAERS que citam os dois. ROR: quantas vezes o par aparece junto além do esperado, com o intervalo de confiança de 95%.

O travessão não quer dizer zero: quer dizer que a openFDA não devolve o fármaco entre os mais notificados desta reação, e sem os dois números do FAERS não há ROR para calcular.

O grau de evidência

  • AEstabelecidoa literatura indexada sustenta a causa e tem volume (10 artigos ou mais), e a notificação espontânea mostra desproporção — as duas bases, não uma.
  • BProvávela literatura indexada sustenta a causa sozinha: pelo menos 3 artigos, e a proporção deles sobrevive ao próprio intervalo de confiança.
  • CPossívelhá artigo que indexa o quadro como causado por droga, mas a proporção não separa causa de coincidência — ou o sinal veio só da notificação.

Nada disso é incidência: notificação espontânea não tem quantos pacientes foram expostos, e artigo publicado mede interesse tanto quanto frequência. Um número alto diz que vale perguntar pelo fármaco, não que ele é a causa neste paciente.

Dados de 2026-09-21.