Dissecção da aorta por medicamento

Que fármacos causam dissecção da aorta? Com a evidência mais forte: cocaína, ciprofloxacino, angiotensina II, crack, bevacizumabe e metanfetamina, entre 55 substâncias.

Quadro sem termo correspondente no FAERS: a evidência aqui é só a literatura indexada, então o grau não passa de B (provável) — não por ser fraca, mas porque falta a segunda base para chegar a A.

CID-10: I71.0 Aneurisma dissecante da aorta [qualquer porção]

Fármacos com literatura ou sinal

55 substâncias (28 com registro no Brasil), da evidência mais forte para a mais fraca. Quem entra na lista é quem o NLM indexou como causa — o FAERS entra quando tem número.

SubstânciaEvidênciaArtigosRelatosROR (IC 95%)
Cocaínasem registro no BrasilBProvável18 de 37
CiprofloxacinoBProvável6 de 8
Angiotensina IIsem registro no BrasilCPossível11 de 121
Cracknão é medicamentoCPossível5 de 10
BevacizumabeCPossível3
Metanfetaminasem registro no BrasilCPossível3
LevofloxacinoCPossível3
MoxifloxacinoCPossível3
AmoxicilinaCPossível3
Desoxicitidinasem registro no BrasilCPossível3
Ergotaminasem registro no BrasilCPossível2
Varfarinasem registro no BrasilCPossível2
NicotinaCPossível2
Níquelnão é medicamentoCPossível2
Alemtuzumabsem registro no BrasilCPossível2
NiacinamidaCPossível2
CisplatinaCPossível2
5-Fluorouracilasem registro no BrasilCPossível2
CafeínaCPossível1
Etanolsem registro no BrasilCPossível1
Sildenafilasem registro no BrasilCPossível1
CiclosporinaCPossível1
BleomicinaCPossível1
Procarbazinasem registro no BrasilCPossível1
Mostarda nitrogenada 2sem registro no BrasilCPossível1
VincristinaCPossível1
Vimblastinasem registro no BrasilCPossível1
DoxorrubicinaCPossível1
PrednisonaCPossível1
MetoprololCPossível1
Mexiletinasem registro no BrasilCPossível1
Quinidinasem registro no BrasilCPossível1
Cisteaminasem registro no BrasilCPossível1
Óxido de zinconão é medicamentoCPossível1
RegorafenibeCPossível1
Fostamatinibesem registro no BrasilCPossível1
MirabegronaCPossível1
PazopanibeCPossível1
SorafenibeCPossível1
SunitinibeCPossível1
AlopurinolCPossível1
Borrachanão é medicamentoCPossível1
Panobinostatesem registro no BrasilCPossível1
Cefiximasem registro no BrasilCPossível1
IodixanolCPossível1
AmpicilinaCPossível1
Sulbactam pivoxilaCPossível1
PegfilgrastimCPossível1
Polietilenoglicolsem registro no BrasilCPossível1
FilgrastimCPossível1
MDMAnão é medicamentoCPossível1
Tracolimosem registro no BrasilCPossível1
EtinilestradiolCPossível1
DrospirenonaCPossível1
Temsirolimosem registro no BrasilCPossível1

Artigos: quantos o NLM indexou como dissecção da aorta causada por droga, sobre o total de artigos que ligam o fármaco ao quadro. O link abre a mesma busca e devolve o mesmo número. Relatos: notificações no FAERS que citam os dois. ROR: quantas vezes o par aparece junto além do esperado, com o intervalo de confiança de 95%.

O travessão não quer dizer zero: quer dizer que a openFDA não devolve o fármaco entre os mais notificados desta reação, e sem os dois números do FAERS não há ROR para calcular.

O grau de evidência

  • AEstabelecidoa literatura indexada sustenta a causa e tem volume (10 artigos ou mais), e a notificação espontânea mostra desproporção — as duas bases, não uma.
  • BProvávela literatura indexada sustenta a causa sozinha: pelo menos 3 artigos, e a proporção deles sobrevive ao próprio intervalo de confiança.
  • CPossívelhá artigo que indexa o quadro como causado por droga, mas a proporção não separa causa de coincidência — ou o sinal veio só da notificação.

Nada disso é incidência: notificação espontânea não tem quantos pacientes foram expostos, e artigo publicado mede interesse tanto quanto frequência. Um número alto diz que vale perguntar pelo fármaco, não que ele é a causa neste paciente.

Dados de 2026-09-21.