Pneumonia eosinofílica aguda por medicamento

Que fármacos causam pneumonia eosinofílica aguda? Com a evidência mais forte: daptomicina, minociclina, material particulado, fumaça, sertralina e progesterona, entre 40 substâncias.

Febre e hipoxemia que abrem em dias, com eosinófilo no lavado e sangue normal — o hemograma limpo é o que faz descartar a hipótese cedo demais. Daptomicina e o início recente do tabagismo são as duas histórias clássicas. Responde ao corticoide em horas e recidiva se a droga voltar, o que serve de prova retrospectiva.

CID-10: J82 Eosinofilia pulmonar, não classificada em outra parte

Fármacos com literatura ou sinal

40 substâncias (23 com registro no Brasil), da evidência mais forte para a mais fraca. Quem entra na lista é quem tem artigo ligando o fármaco ao quadro — o FAERS entra quando tem número.

Este quadro não tem cabeçalho próprio no MeSH, o vocabulário com que o NLM indexa o PubMed — existe na clínica e não no vocabulário. Sem cabeçalho não há onde pendurar o rótulo causado por droga, então a contagem ao lado vem de achar o quadro no título ou no resumo e o fármaco rotulado à mão como causador de dano. O link leva à mesma busca. O total ao lado é ela sem o rótulo do fármaco — a proporção, o grau e o ROR saem como em qualquer outro quadro.

SubstânciaEvidênciaArtigosRelatosROR (IC 95%)
DaptomicinaCPossível12144467,2 (390,1559,6)
Minociclinasem registro no BrasilCPossível7
Material particuladonão é medicamentoCPossível7
Fumaçanão é medicamentoCPossível5
SertralinaBProvável4 de 4576,7 (5,28,8)
ProgesteronaCPossível32830,9 (21,245,1)
Cocaínasem registro no BrasilCPossível3
RisperidonaCPossível2377,1 (5,19,8)
Acido acetilsalicilicoCPossível2361,6 (1,12,2)
ParacetamolCPossível2230,8 (0,51,2)
Heroínasem registro no BrasilCPossível2
MentolCPossível2
Mesalazinasem registro no BrasilCPossível2
Cloroquinasem registro no BrasilCPossível2
IbuprofenoCPossível124328,8 (24,933,5)
NaltrexonaCPossível1159,2 (5,515,3)
IsotretinoínaCPossível1136,5 (3,811,3)
TopiramatoCPossível1174,3 (2,66,9)
MetotrexatoCPossível1331,7 (1,22,4)
TalidomidaCPossível1
Frutosesem registro no BrasilCPossível1
VortioxetinaCPossível1
TrastuzumabeCPossível1
NivolumabeCPossível1
Dronabinolsem registro no BrasilCPossível1
Hidroxicloroquinasem registro no BrasilCPossível1
Isocianatosnão é medicamentoCPossível1
Piretrinasnão é medicamentoCPossível1
GlicinaCPossível1
SulfassalazinaCPossível1
Proguanilsem registro no BrasilCPossível1
Ácido mefenâmicosem registro no BrasilCPossível1
Ciclizinasem registro no BrasilCPossível1
AmitriptilinaCPossível1
ClomipraminaCPossível1
CarbamazepinaCPossível1
RanitidinaCPossível1
TrazodonaCPossível1
Tricloroetanonão é medicamentoCPossível1
Pentamidinasem registro no BrasilCPossível1

Artigos: quantos o NLM indexou como pneumonia eosinofílica aguda causada por droga, sobre o total de artigos que ligam o fármaco ao quadro. O link abre a mesma busca e devolve o mesmo número. Relatos: notificações no FAERS que citam os dois. ROR: quantas vezes o par aparece junto além do esperado, com o intervalo de confiança de 95%.

O travessão não quer dizer zero: quer dizer que a openFDA não devolve o fármaco entre os mais notificados desta reação, e sem os dois números do FAERS não há ROR para calcular.

O grau de evidência

  • AEstabelecidoa literatura indexada sustenta a causa e tem volume (10 artigos ou mais), e a notificação espontânea mostra desproporção — as duas bases, não uma.
  • BProvávela literatura indexada sustenta a causa sozinha: pelo menos 3 artigos, e a proporção deles sobrevive ao próprio intervalo de confiança.
  • CPossívelhá artigo que indexa o quadro como causado por droga, mas a proporção não separa causa de coincidência — ou o sinal veio só da notificação.

Nada disso é incidência: notificação espontânea não tem quantos pacientes foram expostos, e artigo publicado mede interesse tanto quanto frequência. Um número alto diz que vale perguntar pelo fármaco, não que ele é a causa neste paciente.

Dados de 2026-09-21.