Infiltrado pulmonar com eosinofilia por medicamento
Que fármacos causam infiltrado pulmonar com eosinofilia? Com a evidência mais forte: cromoglicato de sódio, naproxeno, sulfassalazina, daptomicina, minociclina e piperacilina, entre 24 substâncias.
Infiltrado que migra com eosinofilia no sangue — a apresentação clássica da reação a droga no pulmão. O hemograma é o exame que fecha o raciocínio, e sai barato antes de qualquer tomografia.
CID-10: J82 — Eosinofilia pulmonar, não classificada em outra parte
Fármacos com literatura ou sinal
24 substâncias (11 com registro no Brasil), da evidência mais forte para a mais fraca. Quem entra na lista é quem tem artigo ligando o fármaco ao quadro — o FAERS entra quando tem número.
Este quadro não tem cabeçalho próprio no MeSH, o vocabulário com que o NLM indexa o PubMed — existe na clínica e não no vocabulário. Sem cabeçalho não há onde pendurar o rótulo causado por droga, então a contagem ao lado vem de achar o quadro no título ou no resumo e o fármaco rotulado à mão como causador de dano. O link leva à mesma busca. O total ao lado é ela sem o rótulo do fármaco — a proporção, o grau e o ROR saem como em qualquer outro quadro.
| Substância | Evidência | Artigos | Relatos | ROR (IC 95%) |
|---|---|---|---|---|
| Cromoglicato de sódiosem registro no Brasil | BProvável | 4 de 4 | — | — |
| Naproxeno | CPossível | 3 | 18 | 5,1 (3,2–8,2) |
| Sulfassalazina | CPossível | 3 | 8 | — |
| Daptomicina | CPossível | 2 | 12 | 61,2 (34,5–108,6) |
| Minociclinasem registro no Brasil | CPossível | 2 | — | — |
| Piperacilina | CPossível | 2 | — | — |
| Captopril | CPossível | 2 | 1 | — |
| Tripsinasem registro no Brasil | CPossível | 2 | — | — |
| Ibuprofeno | CPossível | 1 | 235 | 77 (64–92,5) |
| Carbamazepina | CPossível | 1 | 10 | 7 (3,7–13) |
| Acido acetilsalicilico | CPossível | 1 | 42 | 3,7 (2,7–5) |
| Mesalazinasem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
| Cisteína | CPossível | 1 | — | — |
| Níquelnão é medicamento | CPossível | 1 | — | — |
| Triptofano | CPossível | 1 | — | — |
| Cloroprenonão é medicamento | CPossível | 1 | — | — |
| Borrachanão é medicamento | CPossível | 1 | — | — |
| Desipraminasem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
| Tiomalato sódico de ourosem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
| Heroínasem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
| Bussulfano | CPossível | 1 | — | — |
| Metisergidasem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
| Clorpromazinasem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
| Iodo-125sem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
Artigos: quantos o NLM indexou como infiltrado pulmonar com eosinofilia causada por droga, sobre o total de artigos que ligam o fármaco ao quadro. O link abre a mesma busca e devolve o mesmo número. Relatos: notificações no FAERS que citam os dois. ROR: quantas vezes o par aparece junto além do esperado, com o intervalo de confiança de 95%.
O travessão não quer dizer zero: quer dizer que a openFDA não devolve o fármaco entre os mais notificados desta reação, e sem os dois números do FAERS não há ROR para calcular.
O grau de evidência
- AEstabelecidoa literatura indexada sustenta a causa e tem volume (10 artigos ou mais), e a notificação espontânea mostra desproporção — as duas bases, não uma.
- BProvávela literatura indexada sustenta a causa sozinha: pelo menos 3 artigos, e a proporção deles sobrevive ao próprio intervalo de confiança.
- CPossívelhá artigo que indexa o quadro como causado por droga, mas a proporção não separa causa de coincidência — ou o sinal veio só da notificação.
Nada disso é incidência: notificação espontânea não tem quantos pacientes foram expostos, e artigo publicado mede interesse tanto quanto frequência. Um número alto diz que vale perguntar pelo fármaco, não que ele é a causa neste paciente.
Dados de 2026-09-21.