Anemia megaloblástica por medicamento

Que fármacos causam anemia megaloblástica? Com a evidência mais forte: óxido nitroso, trimetoprima, pirimetamina, sulfametoxazol, sulfassalazina e triantereno, entre 57 substâncias.

Quadro sem termo correspondente no FAERS: a evidência aqui é só a literatura indexada, então o grau não passa de B (provável) — não por ser fraca, mas porque falta a segunda base para chegar a A.

CID-10: D51.0 Anemia por deficiência de vitamina B12 devida à deficiência de fator intrínseco

Fármacos com literatura ou sinal

57 substâncias (27 com registro no Brasil), da evidência mais forte para a mais fraca. Quem entra na lista é quem o NLM indexou como causa — o FAERS entra quando tem número.

SubstânciaEvidênciaArtigosRelatosROR (IC 95%)
Óxido nitrososem registro no BrasilBProvável17 de 35
TrimetoprimaBProvável14 de 19
PirimetaminaBProvável13 de 19
SulfametoxazolBProvável12 de 15
SulfassalazinaBProvável9 de 11
Trianterenosem registro no BrasilBProvável7 de 7
AzatioprinaBProvável6 de 9
MetotrexatoCPossível11 de 38
Cloranfenicolsem registro no BrasilCPossível5 de 14
Hidroxiureiasem registro no BrasilCPossível3
Proguanilsem registro no BrasilCPossível3
MetildopaCPossível3
FenobarbitalCPossível3
DapsonaCPossível3
FenitoínaCPossível3
BussulfanoCPossível2
MetforminaCPossível2
EtinilestradiolCPossível2
Oxifembutazonasem registro no BrasilCPossível2
AtezolizumabeCPossível1
Erlotinibesem registro no BrasilCPossível1
EritromicinaCPossível1
Interferão beta-1asem registro no BrasilCPossível1
Polietilenoglicolsem registro no BrasilCPossível1
RibavirinaCPossível1
Alfapeginterferona 2bsem registro no BrasilCPossível1
Cloroquinasem registro no BrasilCPossível1
Tegafursem registro no BrasilCPossível1
Pentamidinasem registro no BrasilCPossível1
5-Fluorouracilasem registro no BrasilCPossível1
Ergotaminasem registro no BrasilCPossível1
AnagrelidaCPossível1
Etanolsem registro no BrasilCPossível1
Fenacetinasem registro no BrasilCPossível1
NeomicinaCPossível1
PrimidonaCPossível1
Benzenonão é medicamentoCPossível1
Arsênionão é medicamentoCPossível1
BleomicinaCPossível1
IsoniazidaCPossível1
Norgestrienonasem registro no BrasilCPossível1
AciclovirCPossível1
Oxigêniosem registro no BrasilCPossível1
Sal de lítiosem registro no BrasilCPossível1
Halotanosem registro no BrasilCPossível1
NitrofurantoínaCPossível1
MercaptopurinaCPossível1
Secobarbitalsem registro no BrasilCPossível1
FenilbutazonaCPossível1
Noretindronasem registro no BrasilCPossível1
AmpicilinaCPossível1
Clorpromazinasem registro no BrasilCPossível1
Cianetosnão é medicamentoCPossível1
Estrogêniossem registro no BrasilCPossível1
NandrolonaCPossível1
Diacetato de etinodiolsem registro no BrasilCPossível1
Linestrenolsem registro no BrasilCPossível1

Artigos: quantos o NLM indexou como anemia megaloblástica causada por droga, sobre o total de artigos que ligam o fármaco ao quadro. O link abre a mesma busca e devolve o mesmo número. Relatos: notificações no FAERS que citam os dois. ROR: quantas vezes o par aparece junto além do esperado, com o intervalo de confiança de 95%.

O travessão não quer dizer zero: quer dizer que a openFDA não devolve o fármaco entre os mais notificados desta reação, e sem os dois números do FAERS não há ROR para calcular.

O grau de evidência

  • AEstabelecidoa literatura indexada sustenta a causa e tem volume (10 artigos ou mais), e a notificação espontânea mostra desproporção — as duas bases, não uma.
  • BProvávela literatura indexada sustenta a causa sozinha: pelo menos 3 artigos, e a proporção deles sobrevive ao próprio intervalo de confiança.
  • CPossívelhá artigo que indexa o quadro como causado por droga, mas a proporção não separa causa de coincidência — ou o sinal veio só da notificação.

Nada disso é incidência: notificação espontânea não tem quantos pacientes foram expostos, e artigo publicado mede interesse tanto quanto frequência. Um número alto diz que vale perguntar pelo fármaco, não que ele é a causa neste paciente.

Dados de 2026-09-21.