Vasculite ANCA por droga

Que fármacos causam vasculite ANCA por droga? Com a evidência mais forte: levamisol, propiltiouracila, cocaína, hidralazina, minociclina e naftalenos, entre 41 substâncias.

Propiltiouracila, hidralazina, minociclina e a cocaína cortada com levamisol. O anti-MPO costuma vir em título alto com anti-PR3 junto, o que quase não acontece na vasculite idiopática; retirar a droga resolve boa parte.

Quadro sem termo correspondente no FAERS: a evidência aqui é só a literatura indexada, então o grau não passa de B (provável) — não por ser fraca, mas porque falta a segunda base para chegar a A.

CID-10: M31.7 Poliangeíte microscópica

Fármacos com literatura ou sinal

41 substâncias (27 com registro no Brasil), da evidência mais forte para a mais fraca. Quem entra na lista é quem tem artigo ligando o fármaco ao quadro — o FAERS entra quando tem número.

Este quadro não tem cabeçalho próprio no MeSH, o vocabulário com que o NLM indexa o PubMed — existe na clínica e não no vocabulário. Sem cabeçalho não há onde pendurar o rótulo causado por droga, então a contagem ao lado vem de achar o quadro no título ou no resumo e o fármaco rotulado à mão como causador de dano. O link leva à mesma busca. O total ao lado é ela sem o rótulo do fármaco — a proporção, o grau e o ROR saem como em qualquer outro quadro.

SubstânciaEvidênciaArtigosRelatosROR (IC 95%)
Levamisolsem registro no BrasilBProvável41 de 42
PropiltiouracilaBProvável22 de 25
Cocaínasem registro no BrasilBProvável21 de 23
HidralazinaBProvável7 de 7
Minociclinasem registro no BrasilCPossível7
Naftalenosnão é medicamentoCPossível2
FilgrastimCPossível2
Polietilenoglicolsem registro no BrasilCPossível2
PegfilgrastimCPossível2
Carbimazolsem registro no BrasilCPossível2
PenicilaminaCPossível2
Desoxicitidinasem registro no BrasilCPossível2
DexametasonaCPossível1
BortezomibeCPossível1
TerbinafinaCPossível1
FenobarbitalCPossível1
RituximabeCPossível1
AdalimumabeCPossível1
Acido acetilsalicilicoCPossível1
CapecitabinaCPossível1
Leuprorrelinasem registro no BrasilCPossível1
DenosumabeCPossível1
BevacizumabeCPossível1
FulvestrantoCPossível1
AmiodaronaCPossível1
Ustequinumabesem registro no BrasilCPossível1
Cracknão é medicamentoCPossível1
GlibenclamidaCPossível1
TiclopidinaCPossível1
MetotrexatoCPossível1
IsotretinoínaCPossível1
MetimazolCPossível1
AzatioprinaCPossível1
MDMAnão é medicamentoCPossível1
TamoxifenoCPossível1
MetforminaCPossível1
SulfassalazinaCPossível1
Bendroflumetiazidasem registro no BrasilCPossível1
Fenilpropanolaminasem registro no BrasilCPossível1
FurosemidaCPossível1
Fenindionasem registro no BrasilCPossível1

Artigos: quantos o NLM indexou como vasculite ANCA por droga causada por droga, sobre o total de artigos que ligam o fármaco ao quadro. O link abre a mesma busca e devolve o mesmo número. Relatos: notificações no FAERS que citam os dois. ROR: quantas vezes o par aparece junto além do esperado, com o intervalo de confiança de 95%.

O travessão não quer dizer zero: quer dizer que a openFDA não devolve o fármaco entre os mais notificados desta reação, e sem os dois números do FAERS não há ROR para calcular.

O grau de evidência

  • AEstabelecidoa literatura indexada sustenta a causa e tem volume (10 artigos ou mais), e a notificação espontânea mostra desproporção — as duas bases, não uma.
  • BProvávela literatura indexada sustenta a causa sozinha: pelo menos 3 artigos, e a proporção deles sobrevive ao próprio intervalo de confiança.
  • CPossívelhá artigo que indexa o quadro como causado por droga, mas a proporção não separa causa de coincidência — ou o sinal veio só da notificação.

Nada disso é incidência: notificação espontânea não tem quantos pacientes foram expostos, e artigo publicado mede interesse tanto quanto frequência. Um número alto diz que vale perguntar pelo fármaco, não que ele é a causa neste paciente.

Dados de 2026-09-21.