Síndrome de disfunção reativa das vias aéreas

Que fármacos causam síndrome de disfunção reativa das vias aéreas? Com a evidência mais forte: cloro, isocianatos, ácido clorídrico, diisocianato de tolueno, ácido fluorídrico e emissões veiculares, entre 26 substâncias.

Asma que começa numa única exposição alta a irritante — cloro, amônia, fumaça — em quem nunca teve asma. A hiper-reatividade dura anos; é o diagnóstico que transforma um acidente em doença ocupacional.

Quadro sem termo correspondente no FAERS: a evidência aqui é só a literatura indexada, então o grau não passa de B (provável) — não por ser fraca, mas porque falta a segunda base para chegar a A.

CID-10: J68.3 Outras afecções respiratórias agudas e subagudas devidas a produtos químicos, gases, fumaças e vapores

Fármacos com literatura ou sinal

26 substâncias (0 com registro no Brasil), da evidência mais forte para a mais fraca. Quem entra na lista é quem tem artigo ligando o fármaco ao quadro — o FAERS entra quando tem número.

Este quadro não tem cabeçalho próprio no MeSH, o vocabulário com que o NLM indexa o PubMed — existe na clínica e não no vocabulário. Sem cabeçalho não há onde pendurar o rótulo causado por droga, então a contagem ao lado vem de achar o quadro no título ou no resumo e o fármaco rotulado à mão como causador de dano. O link leva à mesma busca. O total ao lado é ela sem o rótulo do fármaco — a proporção, o grau e o ROR saem como em qualquer outro quadro.

SubstânciaEvidênciaArtigosRelatosROR (IC 95%)
Cloronão é medicamentoBProvável22 de 23
Isocianatosnão é medicamentoCPossível9
Ácido clorídricosem registro no BrasilCPossível6
Diisocianato de toluenonão é medicamentoBProvável5 de 5
Ácido fluorídriconão é medicamentoCPossível3
Emissões veicularesnão é medicamentoCPossível2
Sílicanão é medicamentoCPossível2
Óxidos de nitrogênionão é medicamentoCPossível2
Dióxido de enxofrenão é medicamentoCPossível2
Ácido etanoicosem registro no BrasilCPossível2
Glutaraldeídonão é medicamentoCPossível2
Ácido sulfúriconão é medicamentoCPossível2
Sulfitosnão é medicamentoCPossível1
Piretrinasnão é medicamentoCPossível1
Acroleínanão é medicamentoCPossível1
Bifenilos policloradosnão é medicamentoCPossível1
Hipoclorito de sódiosem registro no BrasilCPossível1
Óxido de alumíniosem registro no BrasilCPossível1
Látexnão é medicamentoCPossível1
Gás lacrimogêneo CSnão é medicamentoCPossível1
Bromonão é medicamentoCPossível1
Pentamidinasem registro no BrasilCPossível1
Cromatosnão é medicamentoCPossível1
Anidridos ftálicosnão é medicamentoCPossível1
Hidróxido de sódionão é medicamentoCPossível1
Tetracloroetilenonão é medicamentoCPossível1

Artigos: quantos o NLM indexou como síndrome de disfunção reativa das vias aéreas causada por droga, sobre o total de artigos que ligam o fármaco ao quadro. O link abre a mesma busca e devolve o mesmo número. Relatos: notificações no FAERS que citam os dois. ROR: quantas vezes o par aparece junto além do esperado, com o intervalo de confiança de 95%.

O travessão não quer dizer zero: quer dizer que a openFDA não devolve o fármaco entre os mais notificados desta reação, e sem os dois números do FAERS não há ROR para calcular.

O grau de evidência

  • AEstabelecidoa literatura indexada sustenta a causa e tem volume (10 artigos ou mais), e a notificação espontânea mostra desproporção — as duas bases, não uma.
  • BProvávela literatura indexada sustenta a causa sozinha: pelo menos 3 artigos, e a proporção deles sobrevive ao próprio intervalo de confiança.
  • CPossívelhá artigo que indexa o quadro como causado por droga, mas a proporção não separa causa de coincidência — ou o sinal veio só da notificação.

Nada disso é incidência: notificação espontânea não tem quantos pacientes foram expostos, e artigo publicado mede interesse tanto quanto frequência. Um número alto diz que vale perguntar pelo fármaco, não que ele é a causa neste paciente.

Dados de 2026-09-21.