Encefalopatia hiperamonêmica por medicamento
Que fármacos causam encefalopatia hiperamonêmica? Com a evidência mais forte: valproato, 5-Fluorouracila, frutose, fenobarbital, ácido fólico e desoxicitidina, entre 38 substâncias.
Sonolência e confusão com amônia alta e função hepática normal — por isso a amônia não é pedida e o quadro passa por piora da epilepsia. Valproato é a causa clássica; também ocorre com quimioterapia e com o circuito da urease na infecção urinária.
CID-10: G92 — Encefalopatia tóxica
Fármacos com literatura ou sinal
38 substâncias (29 com registro no Brasil), da evidência mais forte para a mais fraca. Quem entra na lista é quem tem artigo ligando o fármaco ao quadro — o FAERS entra quando tem número.
Este quadro não tem cabeçalho próprio no MeSH, o vocabulário com que o NLM indexa o PubMed — existe na clínica e não no vocabulário. Sem cabeçalho não há onde pendurar o rótulo causado por droga, então a contagem ao lado vem de achar o quadro no título ou no resumo e o fármaco rotulado à mão como causador de dano. O link leva à mesma busca. O total ao lado é ela sem o rótulo do fármaco — a proporção, o grau e o ROR saem como em qualquer outro quadro.
| Substância | Evidência | Artigos | Relatos | ROR (IC 95%) |
|---|---|---|---|---|
| Valproatosem registro no Brasil | BProvável | 140 de 157 | — | — |
| 5-Fluorouracilasem registro no Brasil | BProvável | 21 de 24 | — | — |
| Frutosesem registro no Brasil | BProvável | 9 de 9 | — | — |
| Fenobarbital | BProvável | 4 de 4 | 53 | 42,8 (32,5–56,2) |
| Ácido fólico | CPossível | 4 | 25 | 1,2 (0,8–1,8) |
| Desoxicitidinasem registro no Brasil | BProvável | 4 de 4 | — | — |
| Amônio | CPossível | 4 de 134 | — | — |
| Ácido folínicosem registro no Brasil | CPossível | 4 de 11 | — | — |
| Capecitabina | CPossível | 3 | 68 | 9,5 (7,4–12,1) |
| Sunitinibe | CPossível | 3 | — | — |
| Regorafenibe | CPossível | 3 | 9 | — |
| Topiramato | CPossível | 2 | 158 | 21,6 (18,3–25,4) |
| Fenitoína | CPossível | 2 | 61 | 19,2 (14,9–24,8) |
| Metanfetaminasem registro no Brasil | CPossível | 2 | — | — |
| Asparaginase | CPossível | 2 | — | — |
| Pazopanibe | CPossível | 2 | 5 | — |
| Ciprofloxacino | CPossível | 2 | 3 | — |
| Midazolam | CPossível | 1 | 78 | 34,2 (27,2–42,9) |
| Oxaliplatina | CPossível | 1 | 159 | 29,1 (24,7–34,2) |
| Carbamazepina | CPossível | 1 | 89 | 17,2 (13,9–21,3) |
| Risperidona | CPossível | 1 | 148 | 14,9 (12,6–17,7) |
| Propofol | CPossível | 1 | 33 | 11,3 (8–15,9) |
| Deferasirox | CPossível | 1 | 18 | 8,4 (5,3–13,4) |
| Cisplatina | CPossível | 1 | 48 | 7,8 (5,8–10,3) |
| Citarabina | CPossível | 1 | 23 | 4,6 (3–6,9) |
| Dexametasona | CPossível | 1 | 104 | 4,3 (3,6–5,3) |
| Prednisona | CPossível | 1 | 69 | 1,7 (1,3–2,2) |
| Cloreto de lítiosem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
| Glutamina | CPossível | 1 | — | — |
| Primidona | CPossível | 1 | — | — |
| Cimetidina | CPossível | 1 | — | — |
| Calcitriol | CPossível | 1 | — | — |
| Zonisamidasem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
| Imatinibesem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
| Mercaptopurina | CPossível | 1 | — | — |
| Colchicina | CPossível | 1 | — | — |
| Vincristina | CPossível | 1 | — | — |
| Daunorrubicina | CPossível | 1 | — | — |
Artigos: quantos o NLM indexou como encefalopatia hiperamonêmica causada por droga, sobre o total de artigos que ligam o fármaco ao quadro. O link abre a mesma busca e devolve o mesmo número. Relatos: notificações no FAERS que citam os dois. ROR: quantas vezes o par aparece junto além do esperado, com o intervalo de confiança de 95%.
O travessão não quer dizer zero: quer dizer que a openFDA não devolve o fármaco entre os mais notificados desta reação, e sem os dois números do FAERS não há ROR para calcular.
O grau de evidência
- AEstabelecidoa literatura indexada sustenta a causa e tem volume (10 artigos ou mais), e a notificação espontânea mostra desproporção — as duas bases, não uma.
- BProvávela literatura indexada sustenta a causa sozinha: pelo menos 3 artigos, e a proporção deles sobrevive ao próprio intervalo de confiança.
- CPossívelhá artigo que indexa o quadro como causado por droga, mas a proporção não separa causa de coincidência — ou o sinal veio só da notificação.
Nada disso é incidência: notificação espontânea não tem quantos pacientes foram expostos, e artigo publicado mede interesse tanto quanto frequência. Um número alto diz que vale perguntar pelo fármaco, não que ele é a causa neste paciente.
Dados de 2026-09-21.