Osteonecrose dos maxilares por medicamento

Que fármacos causam osteonecrose dos maxilares por medicamento? Com a evidência mais forte: denosumabe, entre 34 substâncias.

Osso exposto que não cicatriza em oito semanas, quase sempre depois de extração. Antirreabsortivo em dose oncológica é o maior risco, e o antiangiogênico soma — avaliação odontológica antes de começar vale mais do que qualquer conduta depois.

CID-10: M87.1 Osteonecrose devida a drogas

Fármacos com literatura ou sinal

34 substâncias (24 com registro no Brasil), da evidência mais forte para a mais fraca. Quem entra na lista é quem tem artigo ligando o fármaco ao quadro — o FAERS entra quando tem número.

Este quadro não tem cabeçalho próprio no MeSH, o vocabulário com que o NLM indexa o PubMed — existe na clínica e não no vocabulário. Sem cabeçalho não há onde pendurar o rótulo causado por droga, então a contagem ao lado vem de achar o quadro no título ou no resumo e o fármaco rotulado à mão como causador de dano. O link leva à mesma busca. O total ao lado é ela sem o rótulo do fármaco — a proporção, o grau e o ROR saem como em qualquer outro quadro.

SubstânciaEvidênciaArtigosRelatosROR (IC 95%)
DenosumabeAEstabelecido122 de 1568.64557,6 (56,159,1)
Ácido zoledrónicosem registro no BrasilCPossível54 de 172
Alendronatosem registro no BrasilBProvável11 de 17
BevacizumabeBProvável6 de 85934 (3,74,3)
AmoxicilinaCPossível42972,5 (2,22,8)
MetotrexatoBProvável4 de 51.0141,8 (1,71,9)
DoxiciclinaCPossível4220,3 (0,20,4)
Ácido risedrônicosem registro no BrasilBProvável4 de 4
PembrolizumabeCPossível3420,3 (0,20,5)
SunitinibeCPossível3
PamidronatoCPossível3
Ácido ibandrônicosem registro no BrasilCPossível3
PalbociclibeCPossível25234,7 (4,35,2)
AbemaciclibeCPossível2120,5 (0,30,9)
TeriparatidaCPossível2500,4 (0,30,5)
NintedanibeCPossível2160,4 (0,30,7)
MetronidazolCPossível2190,2 (0,20,4)
InfliximabeCPossível2260,1 (0,10,1)
CiclofosfamidaCPossível11.0505,2 (4,95,6)
TrastuzumabeCPossível14124 (3,64,4)
Raloxifenosem registro no BrasilCPossível1392 (1,52,8)
Imatinibesem registro no BrasilCPossível1160,3 (0,20,5)
Everolimosem registro no BrasilCPossível1
DasatinibeCPossível17
Ácido clodrônicosem registro no BrasilCPossível1
Pentoxifilinasem registro no BrasilCPossível1
MitoxantronaCPossível1
RanibizumabeCPossível1
RituximabeCPossível1130 (00,1)
Trióxido de arsêniosem registro no BrasilCPossível1
IpilimumabeCPossível18
LeflunomidaCPossível1
EtanercepteCPossível1280 (00,1)
TamoxifenoCPossível19

Artigos: quantos o NLM indexou como osteonecrose dos maxilares por medicamento causada por droga, sobre o total de artigos que ligam o fármaco ao quadro. O link abre a mesma busca e devolve o mesmo número. Relatos: notificações no FAERS que citam os dois. ROR: quantas vezes o par aparece junto além do esperado, com o intervalo de confiança de 95%.

O travessão não quer dizer zero: quer dizer que a openFDA não devolve o fármaco entre os mais notificados desta reação, e sem os dois números do FAERS não há ROR para calcular.

O grau de evidência

  • AEstabelecidoa literatura indexada sustenta a causa e tem volume (10 artigos ou mais), e a notificação espontânea mostra desproporção — as duas bases, não uma.
  • BProvávela literatura indexada sustenta a causa sozinha: pelo menos 3 artigos, e a proporção deles sobrevive ao próprio intervalo de confiança.
  • CPossívelhá artigo que indexa o quadro como causado por droga, mas a proporção não separa causa de coincidência — ou o sinal veio só da notificação.

Nada disso é incidência: notificação espontânea não tem quantos pacientes foram expostos, e artigo publicado mede interesse tanto quanto frequência. Um número alto diz que vale perguntar pelo fármaco, não que ele é a causa neste paciente.

Dados de 2026-09-21.