Disfunção cardíaca por terapia oncológica

Que fármacos causam disfunção cardíaca por terapia oncológica? Com a evidência mais forte: doxorrubicina, trastuzumabe e ciclofosfamida, entre 32 substâncias.

Queda da fração de ejeção durante ou depois do tratamento do câncer. A da antraciclina depende da dose acumulada e costuma ficar; a do trastuzumabe não depende e costuma voltar ao suspender — por isso a conduta diante do mesmo número é diferente.

CID-10: I42.7 Cardiomiopatia devida a drogas e outros agentes externos

Fármacos com literatura ou sinal

32 substâncias (28 com registro no Brasil), da evidência mais forte para a mais fraca. Quem entra na lista é quem tem artigo ligando o fármaco ao quadro — o FAERS entra quando tem número.

Este quadro não tem cabeçalho próprio no MeSH, o vocabulário com que o NLM indexa o PubMed — existe na clínica e não no vocabulário. Sem cabeçalho não há onde pendurar o rótulo causado por droga, então a contagem ao lado vem de achar o quadro no título ou no resumo e o fármaco rotulado à mão como causador de dano. O link leva à mesma busca. O total ao lado é ela sem o rótulo do fármaco — a proporção, o grau e o ROR saem como em qualquer outro quadro.

SubstânciaEvidênciaArtigosRelatosROR (IC 95%)
DoxorrubicinaAEstabelecido90 de 1021.62349,9 (47,352,7)
DaunorrubicinaCPossível90
TrastuzumabeAEstabelecido45 de 601.20537,6 (35,440)
CiclofosfamidaAEstabelecido11 de 133.63684,4 (80,988,1)
EpirrubicinaBProvável6 de 6
VincristinaBProvável5 de 616113,3 (11,415,6)
CisplatinaBProvável4 de 534410,9 (9,812,1)
PrednisonaCPossível4 de 64422,1 (22,4)
5-Fluorouracilasem registro no BrasilBProvável4 de 5
NiacinamidaCPossível4
RituximabeCPossível34955,6 (5,16,1)
SacubitrilCPossível3
PertuzumabeCPossível233526,5 (23,729,6)
PaclitaxelCPossível23759,4 (8,510,4)
CarboplatinaCPossível23827,4 (6,78,3)
OsimertinibeCPossível2594,4 (3,45,7)
SorafenibeCPossível2141,6 (0,92,7)
AtorvastatinaCPossível2
EmpagliflozinaCPossível2
DocetaxelCPossível137713,9 (12,515,4)
Imatinibesem registro no BrasilCPossível1854,9 (46,1)
MetotrexatoCPossível18014,2 (3,94,5)
BevacizumabeCPossível12013,8 (3,34,3)
CarvedilolCPossível1891,5 (1,21,9)
Rosuvastatinasem registro no BrasilCPossível1100,1 (0,10,2)
ValsartanaCPossível1
PemetrexedeCPossível1
EnalaprilCPossível1
DenosumabeCPossível1
NebivololCPossível1
IvabradinaCPossível1
Formaldeídonão é medicamentoCPossível1

Artigos: quantos o NLM indexou como disfunção cardíaca por terapia oncológica causada por droga, sobre o total de artigos que ligam o fármaco ao quadro. O link abre a mesma busca e devolve o mesmo número. Relatos: notificações no FAERS que citam os dois. ROR: quantas vezes o par aparece junto além do esperado, com o intervalo de confiança de 95%.

O travessão não quer dizer zero: quer dizer que a openFDA não devolve o fármaco entre os mais notificados desta reação, e sem os dois números do FAERS não há ROR para calcular.

O grau de evidência

  • AEstabelecidoa literatura indexada sustenta a causa e tem volume (10 artigos ou mais), e a notificação espontânea mostra desproporção — as duas bases, não uma.
  • BProvávela literatura indexada sustenta a causa sozinha: pelo menos 3 artigos, e a proporção deles sobrevive ao próprio intervalo de confiança.
  • CPossívelhá artigo que indexa o quadro como causado por droga, mas a proporção não separa causa de coincidência — ou o sinal veio só da notificação.

Nada disso é incidência: notificação espontânea não tem quantos pacientes foram expostos, e artigo publicado mede interesse tanto quanto frequência. Um número alto diz que vale perguntar pelo fármaco, não que ele é a causa neste paciente.

Dados de 2026-09-21.