Derrame pleural eosinofílico por medicamento
Que fármacos causam derrame pleural eosinofílico? Com a evidência mais forte: valproato, dantroleno, clozapina, isotretinoína, metotrexato e mesalazina, entre 25 substâncias.
Mais de 10% de eosinófilo no líquido. Depois de afastar ar e sangue no espaço pleural — que são as causas banais —, fármaco sobe na lista: nitrofurantoína, dantroleno, valproato. Suspender costuma resolver sem drenagem e sem biópsia.
CID-10: J90 — Derrame pleural não classificado em outra parte
Fármacos com literatura ou sinal
25 substâncias (15 com registro no Brasil), da evidência mais forte para a mais fraca. Quem entra na lista é quem tem artigo ligando o fármaco ao quadro — o FAERS entra quando tem número.
Este quadro não tem cabeçalho próprio no MeSH, o vocabulário com que o NLM indexa o PubMed — existe na clínica e não no vocabulário. Sem cabeçalho não há onde pendurar o rótulo causado por droga, então a contagem ao lado vem de achar o quadro no título ou no resumo e o fármaco rotulado à mão como causador de dano. O link leva à mesma busca. O total ao lado é ela sem o rótulo do fármaco — a proporção, o grau e o ROR saem como em qualquer outro quadro.
| Substância | Evidência | Artigos | Relatos | ROR (IC 95%) |
|---|---|---|---|---|
| Valproatosem registro no Brasil | BProvável | 15 de 15 | — | — |
| Dantrolenosem registro no Brasil | BProvável | 5 de 5 | — | — |
| Clozapina | CPossível | 3 | 23 | 13,9 (9,1–21,3) |
| Isotretinoína | CPossível | 3 | — | — |
| Metotrexato | CPossível | 2 | 12 | 1,7 (1–3,1) |
| Mesalazinasem registro no Brasil | CPossível | 2 | — | — |
| Nitrofurantoína | CPossível | 2 | 4 | — |
| Palmitato de paliperidonasem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
| Carbimazolsem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
| Metimazol | CPossível | 1 | 7 | — |
| Lisinoprilsem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
| Carbamazepina | CPossível | 1 | — | — |
| Diltiazem | CPossível | 1 | 2 | — |
| Clonidina | CPossível | 1 | — | — |
| Propiltiouracila | CPossível | 1 | — | — |
| Bleomicina | CPossível | 1 | — | — |
| Ciclofosfamida | CPossível | 1 | — | — |
| Penicilamina | CPossível | 1 | — | — |
| Metisergidasem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
| Difenidraminasem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
| Haloperidol | CPossível | 1 | 2 | — |
| Varfarinasem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
| Fluoxetina | CPossível | 1 | — | — |
| Gliclazida | CPossível | 1 | — | — |
| Histaminasem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
Artigos: quantos o NLM indexou como derrame pleural eosinofílico causada por droga, sobre o total de artigos que ligam o fármaco ao quadro. O link abre a mesma busca e devolve o mesmo número. Relatos: notificações no FAERS que citam os dois. ROR: quantas vezes o par aparece junto além do esperado, com o intervalo de confiança de 95%.
O travessão não quer dizer zero: quer dizer que a openFDA não devolve o fármaco entre os mais notificados desta reação, e sem os dois números do FAERS não há ROR para calcular.
O grau de evidência
- AEstabelecidoa literatura indexada sustenta a causa e tem volume (10 artigos ou mais), e a notificação espontânea mostra desproporção — as duas bases, não uma.
- BProvávela literatura indexada sustenta a causa sozinha: pelo menos 3 artigos, e a proporção deles sobrevive ao próprio intervalo de confiança.
- CPossívelhá artigo que indexa o quadro como causado por droga, mas a proporção não separa causa de coincidência — ou o sinal veio só da notificação.
Nada disso é incidência: notificação espontânea não tem quantos pacientes foram expostos, e artigo publicado mede interesse tanto quanto frequência. Um número alto diz que vale perguntar pelo fármaco, não que ele é a causa neste paciente.
Dados de 2026-09-21.