Resumo
O tratamento antibiótico da faringoamigdalite estreptocócica (grupo A) está indicado quando há confirmação (teste rápido de antígeno ou cultura de orofaringe) associada a quadro clínico compatível, com objetivo de reduzir duração dos sintomas, prevenir complicações supurativas e, principalmente, prevenir febre reumática . Penicilina e amoxicilina são os antibióticos de primeira linha, com curso classicamente de 10 dias . Observacional
Manejo / Conduta
Quando tratar: use uma regra de decisão clínica (Centor/McIsaac/FeverPAIN) para estimar a probabilidade pré-teste e reserve o antibiótico para casos com teste rápido de antígeno positivo (ou cultura positiva, especialmente em crianças/adolescentes quando o teste rápido é negativo mas a suspeita persiste) . Febre, exsudato tonsilar, linfadenopatia cervical anterior dolorosa e ausência de tosse aumentam a probabilidade de etiologia estreptocócica; tosse sugere causa viral . Apenas cerca de 10% dos adultos com dor de garganta têm faringite estreptocócica, mas mais de 60% recebem antibiótico — a meta é reduzir esse excesso de prescrição, testando antes de tratar . Diretriz
Escolha e dose (sem alergia a penicilina):
- Penicilina V oral: adultos 500 mg 2x/dia ou 250 mg 4x/dia; crianças 250 mg 2-3x/dia (ajustar por peso) — por 10 dias . Observacional
- Amoxicilina oral: adultos 500 mg 2x/dia (ou 1 g 1x/dia); crianças 50 mg/kg/dia dividido em 1-2 tomadas (dose usual de mercado, máximo 1 g/dia) — por 10 dias. É a opção preferida em crianças pela palatabilidade e posologia mais simples . Observacional
- Alternativa injetável (baixa adesão esperada ou impossibilidade de via oral): penicilina G benzatina IM em dose única (adultos 1.200.000 UI; crianças <27 kg 600.000 UI) — assegura adesão e é a opção classicamente usada para profilaxia primária de febre reumática. Diretriz
Alergia à penicilina:
- Alergia não anafilática: cefalosporina de primeira geração (ex.: cefalexina) por 10 dias . Observacional
- Alergia grave/anafilática (beta-lactâmicos contraindicados): clindamicina ou macrolídeo (azitromicina/claritromicina), conforme padrões locais de resistência — há resistência significativa a azitromicina/claritromicina em algumas regiões, o que pode limitar essa opção . Observacional
Duração: o curso de 10 dias é o recomendado quando o objetivo primário é a prevenção de febre reumática; alguns guias aceitam esquemas de 5-7 dias quando a meta é apenas o alívio sintomático, mas essa é uma divergência entre diretrizes — na prática brasileira, mantenha os 10 dias como padrão . Diretriz
Reavaliação: paciente com faringite estreptocócica tratada adequadamente deve melhorar em 3-4 dias; se não houver melhora nesse prazo, ou se houver piora após início do antibiótico, reavaliar para diagnóstico diferencial ou complicação supurativa (abscesso periamigdaliano/retrofaríngeo) . Observacional
Sintomáticos: analgésicos/antitérmicos (paracetamol e/ou AINE) são a base do tratamento sintomático; corticoide sistêmico não é recomendado rotineiramente para alívio de sintomas . Observacional
Populações especiais
- Crianças: maior prevalência de infecção estreptocócica verdadeira (15-35% dos casos de faringite) versus adultos (5-15%); recomenda-se cultura de confirmação após teste rápido negativo em crianças e adolescentes, dado o risco de febre reumática nessa faixa etária . Observacional
- Gestantes: amoxicilina e penicilina são seguras na gestação; evitar tetraciclinas (não indicadas para esta infecção) e ter cautela com macrolídeos apenas se houver alergia documentada.
- Prevenção de febre reumática: o tratamento antibiótico adequado (10 dias de penicilina/amoxicilina) é a medida primária para reduzir o risco de febre reumática aguda e, consequentemente, cardiopatia reumática crônica — relevante especialmente em populações de maior risco socioeconômico e epidemiológico . Observacional
Observações / armadilhas
- Evitar prescrição empírica de antibiótico sem confirmação: apenas 10% dos adultos com odinofagia têm etiologia estreptocócica, e a sobreprescrição contribui para resistência antimicrobiana sem benefício clínico proporcional . Observacional
- Penicilina permanece sem resistência documentada relevante do S. pyogenes, sendo a escolha mais segura quando não há alergia . Observacional
- Azitromicina/claritromicina apresentam resistência significativa variável por região — evitar como primeira escolha fora de contexto de alergia grave a beta-lactâmico, e verificar padrão local de resistência quando usados . Observacional
- Tonsilectomia como medida preventiva é reservada para casos recorrentes bem definidos (ex.: 7 episódios em 1 ano, 5/ano por 2 anos consecutivos, ou 3/ano por 3 anos consecutivos) — não é conduta de rotina para episódio agudo . Observacional
- Diferenciar de complicações supurativas (abscesso periamigdaliano) que exigem avaliação otorrinolaringológica e eventual drenagem, além do antibiótico.
A decisão final é do médico assistente, considerando o contexto do paciente.