Transtorno obsessivo-compulsivo por medicamento

Que fármacos causam transtorno obsessivo-compulsivo? Com a evidência mais forte: clozapina, risperidona, metilfenidato, fluoxetina, pirenzepina e clomipramina, entre 55 substâncias.

Quadro sem termo correspondente no FAERS: a evidência aqui é só a literatura indexada, então o grau não passa de B (provável) — não por ser fraca, mas porque falta a segunda base para chegar a A.

CID-10: F42 Transtorno obsessivo-compulsivo

Fármacos com literatura ou sinal

55 substâncias (32 com registro no Brasil), da evidência mais forte para a mais fraca. Quem entra na lista é quem o NLM indexou como causa — o FAERS entra quando tem número.

SubstânciaEvidênciaArtigosRelatosROR (IC 95%)
ClozapinaBProvável55 de 112
RisperidonaCPossível20 de 142
MetilfenidatoCPossível11 de 38
FluoxetinaCPossível10 de 474
Pirenzepinasem registro no BrasilCPossível9 de 38
ClomipraminaCPossível3
FluvoxaminaCPossível3
Cocaínasem registro no BrasilCPossível3
Clotiapinasem registro no BrasilCPossível2
Valproatosem registro no BrasilCPossível2
HaloperidolCPossível2
SulpiridaCPossível2
Dextroanfetaminasem registro no BrasilCPossível2
DexametasonaCPossível2
Cariprazinasem registro no BrasilCPossível2
Anfetaminasem registro no BrasilCPossível2
AripiprazolCPossível2
Dimesilato de lisdexanfetaminasem registro no BrasilCPossível2
Atomoxetinasem registro no BrasilCPossível2
MorfinaCPossível2
ParoxetinaCPossível2
Frutosesem registro no BrasilCPossível2
OlanzapinaCPossível1
SertralinaCPossível1
Clorpromazinasem registro no BrasilCPossível1
LevonorgestrelCPossível1
Nefazodonasem registro no BrasilCPossível1
Pimozidasem registro no BrasilCPossível1
PrednisolonaCPossível1
FlufenazinaCPossível1
BuspironaCPossível1
IsoniazidaCPossível1
IsotretinoínaCPossível1
CodeínaCPossível1
DiazepamCPossível1
Cloreto de tróspiosem registro no BrasilCPossível1
Xanomelinasem registro no BrasilCPossível1
BudesonidaCPossível1
BrexpiprazolCPossível1
LevetiracetamCPossível1
InfliximabeCPossível1
RasagilinaCPossível1
Ropinirolsem registro no BrasilCPossível1
PiracetamCPossível1
Desoxicitidinasem registro no BrasilCPossível1
Emtricitabinesem registro no BrasilCPossível1
EstradiolCPossível1
ZiprasidonaCPossível1
MDMAnão é medicamentoCPossível1
Benzoato de estradiolsem registro no BrasilCPossível1
AzatioprinaCPossível1
MetadonaCPossível1
Cortisonasem registro no BrasilCPossível1
Metanfetaminasem registro no BrasilCPossível1
Estrogênios conjugadossem registro no BrasilCPossível1

Artigos: quantos o NLM indexou como transtorno obsessivo-compulsivo causada por droga, sobre o total de artigos que ligam o fármaco ao quadro. O link abre a mesma busca e devolve o mesmo número. Relatos: notificações no FAERS que citam os dois. ROR: quantas vezes o par aparece junto além do esperado, com o intervalo de confiança de 95%.

O travessão não quer dizer zero: quer dizer que a openFDA não devolve o fármaco entre os mais notificados desta reação, e sem os dois números do FAERS não há ROR para calcular.

O grau de evidência

  • AEstabelecidoa literatura indexada sustenta a causa e tem volume (10 artigos ou mais), e a notificação espontânea mostra desproporção — as duas bases, não uma.
  • BProvávela literatura indexada sustenta a causa sozinha: pelo menos 3 artigos, e a proporção deles sobrevive ao próprio intervalo de confiança.
  • CPossívelhá artigo que indexa o quadro como causado por droga, mas a proporção não separa causa de coincidência — ou o sinal veio só da notificação.

Nada disso é incidência: notificação espontânea não tem quantos pacientes foram expostos, e artigo publicado mede interesse tanto quanto frequência. Um número alto diz que vale perguntar pelo fármaco, não que ele é a causa neste paciente.

Dados de 2026-09-21.