Síndrome de diferenciação
Que fármacos causam síndrome de diferenciação? Com a evidência mais forte: tretinoína, citarabina, dexametasona, ivosidenibe, mercaptopurina e azacitidina, entre 28 substâncias.
Febre, ganho de peso, infiltrado e hipotensão nas primeiras três semanas de ATRA ou trióxido de arsênio na leucemia promielocítica. Dexametasona na suspeita, antes de confirmar: esperar é o que mata.
Fármacos com literatura ou sinal
28 substâncias (20 com registro no Brasil), da evidência mais forte para a mais fraca. Quem entra na lista é quem tem artigo ligando o fármaco ao quadro — o FAERS entra quando tem número.
Este quadro não tem cabeçalho próprio no MeSH, o vocabulário com que o NLM indexa o PubMed — existe na clínica e não no vocabulário. Sem cabeçalho não há onde pendurar o rótulo causado por droga, então a contagem ao lado vem de achar o quadro no título ou no resumo. O link leva à mesma busca. Aqui não há proporção a tirar: o quadro já é medicamentoso por definição, e quem separa o achado do ruído é o número de artigos e o ROR ao lado.
| Substância | Evidência | Artigos | Relatos | ROR (IC 95%) |
|---|---|---|---|---|
| Tretinoína | AEstabelecido | 329 | 378 | 1.272,9 (1.122,2–1.443,8) |
| Trióxido de arsêniosem registro no Brasil | BProvável | 89 | — | — |
| Citarabina | AEstabelecido | 39 | 125 | 42,4 (35,2–51,1) |
| Idarrubicina | BProvável | 27 | 2 | — |
| Daunorrubicina | BProvável | 26 | 1 | — |
| Dexametasona | AEstabelecido | 20 | 232 | 17,5 (15,2–20,3) |
| Enasidenibesem registro no Brasil | BProvável | 20 | — | — |
| Glicina | BProvável | 18 | — | — |
| Ivosidenibe | AEstabelecido | 17 | 97 | 1.012,8 (818,5–1.253,2) |
| Mercaptopurina | AEstabelecido | 12 | 18 | 19,8 (12,4–31,6) |
| Azacitidina | AEstabelecido | 11 | 163 | 121,5 (102,9–143,5) |
| Metotrexato | CPossível | 9 | 79 | 3,2 (2,5–4) |
| Gilteritinibe | CPossível | 7 | 96 | 511,2 (413,7–631,7) |
| Mitoxantrona | CPossível | 6 | 94 | 312,1 (252,2–386,1) |
| Etoposídeosem registro no Brasil | CPossível | 5 | — | — |
| Acitretina | CPossível | 4 | 6 | — |
| Venetoclax | CPossível | 3 | 33 | 10,4 (7,3–14,6) |
| Prednisolona | CPossível | 3 | 78 | 8,1 (6,4–10,2) |
| Prednisona | CPossível | 3 | 58 | 2,2 (1,7–2,9) |
| Metilprednisolona | CPossível | 3 | 15 | 1,7 (1–2,8) |
| Doxorrubicina | CPossível | 3 | 2 | — |
| Bexarotenosem registro no Brasil | CPossível | 3 | — | — |
| Fibrinogêniosem registro no Brasil | CPossível | 2 | — | — |
| Vincristina | CPossível | 2 | — | — |
| Aclarrubicinasem registro no Brasil | CPossível | 2 | — | — |
| Hidroxiureiasem registro no Brasil | CPossível | 2 | — | — |
| Tranilcipromina | CPossível | 2 | — | — |
| Olutasidenibesem registro no Brasil | CPossível | 2 | — | — |
Artigos: quantos o NLM indexou como síndrome de diferenciação causada por droga, sobre o total de artigos que ligam o fármaco ao quadro. O link abre a mesma busca e devolve o mesmo número. Relatos: notificações no FAERS que citam os dois. ROR: quantas vezes o par aparece junto além do esperado, com o intervalo de confiança de 95%.
O travessão não quer dizer zero: quer dizer que a openFDA não devolve o fármaco entre os mais notificados desta reação, e sem os dois números do FAERS não há ROR para calcular.
O grau de evidência
- AEstabelecidoa literatura indexada sustenta a causa e tem volume (10 artigos ou mais), e a notificação espontânea mostra desproporção — as duas bases, não uma.
- BProvávela literatura indexada sustenta a causa sozinha: pelo menos 3 artigos, e a proporção deles sobrevive ao próprio intervalo de confiança.
- CPossívelhá artigo que indexa o quadro como causado por droga, mas a proporção não separa causa de coincidência — ou o sinal veio só da notificação.
Nada disso é incidência: notificação espontânea não tem quantos pacientes foram expostos, e artigo publicado mede interesse tanto quanto frequência. Um número alto diz que vale perguntar pelo fármaco, não que ele é a causa neste paciente.
Dados de 2026-09-21.