Nefropatia por cristais
Que fármacos causam nefropatia por cristais? Com a evidência mais forte: amoxicilina, metotrexato, aciclovir, ciprofloxacino, fosfato de cálcio e etilenoglicol, entre 19 substâncias.
Creatinina que sobe horas depois da dose, com cristais no sedimento e pouco mais. Aciclovir em bolus, metotrexato em dose alta, sulfadiazina e indinavir são os clássicos — e hidratação com correção do pH previne o que o tratamento depois não desfaz.
CID-10: N14.4 — Nefropatia tóxica não classificada em outra parte
Fármacos com literatura ou sinal
19 substâncias (10 com registro no Brasil), da evidência mais forte para a mais fraca. Quem entra na lista é quem tem artigo ligando o fármaco ao quadro — o FAERS entra quando tem número.
Este quadro não tem cabeçalho próprio no MeSH, o vocabulário com que o NLM indexa o PubMed — existe na clínica e não no vocabulário. Sem cabeçalho não há onde pendurar o rótulo causado por droga, então a contagem ao lado vem de achar o quadro no título ou no resumo e o fármaco rotulado à mão como causador de dano. O link leva à mesma busca. O total ao lado é ela sem o rótulo do fármaco — a proporção, o grau e o ROR saem como em qualquer outro quadro.
| Substância | Evidência | Artigos | Relatos | ROR (IC 95%) |
|---|---|---|---|---|
| Amoxicilina | CPossível | 11 | 174 | 37,4 (31,8–44) |
| Metotrexato | BProvável | 6 de 6 | 179 | 7,9 (6,7–9,2) |
| Aciclovir | CPossível | 4 | 72 | 12,3 (9,7–15,7) |
| Ciprofloxacino | CPossível | 3 | 255 | 62,9 (54,7–72,3) |
| Fosfato de cálciosem registro no Brasil | CPossível | 3 | — | — |
| Etilenoglicolnão é medicamento | CPossível | 3 | — | — |
| Ceftriaxona | CPossível | 2 | 75 | 38,9 (30,7–49,1) |
| Levofloxacino | CPossível | 2 | 86 | 28,7 (23–35,8) |
| Sulfadiazina | CPossível | 2 | 7 | — |
| Estiripentolsem registro no Brasil | CPossível | 2 | — | — |
| Atazanavirsem registro no Brasil | CPossível | 2 | — | — |
| Alopurinol | CPossível | 1 | 14 | 1,7 (1–2,8) |
| Valina | CPossível | 1 | — | — |
| Talidomida | CPossível | 1 | — | — |
| Ácido mefenâmicosem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
| Hidroclorotiazidasem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
| Trianterenosem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
| Ácidos aristolóquicosnão é medicamento | CPossível | 1 | — | — |
| Tracolimosem registro no Brasil | CPossível | 1 | — | — |
Artigos: quantos o NLM indexou como nefropatia por cristais causada por droga, sobre o total de artigos que ligam o fármaco ao quadro. O link abre a mesma busca e devolve o mesmo número. Relatos: notificações no FAERS que citam os dois. ROR: quantas vezes o par aparece junto além do esperado, com o intervalo de confiança de 95%.
O travessão não quer dizer zero: quer dizer que a openFDA não devolve o fármaco entre os mais notificados desta reação, e sem os dois números do FAERS não há ROR para calcular.
O grau de evidência
- AEstabelecidoa literatura indexada sustenta a causa e tem volume (10 artigos ou mais), e a notificação espontânea mostra desproporção — as duas bases, não uma.
- BProvávela literatura indexada sustenta a causa sozinha: pelo menos 3 artigos, e a proporção deles sobrevive ao próprio intervalo de confiança.
- CPossívelhá artigo que indexa o quadro como causado por droga, mas a proporção não separa causa de coincidência — ou o sinal veio só da notificação.
Nada disso é incidência: notificação espontânea não tem quantos pacientes foram expostos, e artigo publicado mede interesse tanto quanto frequência. Um número alto diz que vale perguntar pelo fármaco, não que ele é a causa neste paciente.
Dados de 2026-09-21.