Bloqueio neuromuscular residual por medicamento

Que fármacos causam bloqueio neuromuscular residual? Com a evidência mais forte: neostigmina, sugamadex, atracúrio, cisatracúrio, brometo de vecurônio e rocuronio, entre 19 substâncias.

Fraqueza que sobra na sala de recuperação depois do bloqueador não despolarizante, com TOF abaixo de 0,9. Manifesta-se como obstrução de via aérea e broncoaspiração, não como aperto de mão fraco, e é por isso que passa. Quem mede com o monitor escolhe entre neostigmina e sugamadex; quem estima pelo relógio erra.

CID-10: J95.8 Outros transtornos respiratórios pós-procedimentos

Fármacos com literatura ou sinal

19 substâncias (9 com registro no Brasil), da evidência mais forte para a mais fraca. Quem entra na lista é quem tem artigo ligando o fármaco ao quadro — o FAERS entra quando tem número.

Este quadro não tem cabeçalho próprio no MeSH, o vocabulário com que o NLM indexa o PubMed — existe na clínica e não no vocabulário. Sem cabeçalho não há onde pendurar o rótulo causado por droga, então a contagem ao lado vem de achar o quadro no título ou no resumo e o fármaco rotulado à mão como causador de dano. O link leva à mesma busca. O total ao lado é ela sem o rótulo do fármaco — a proporção, o grau e o ROR saem como em qualquer outro quadro.

SubstânciaEvidênciaArtigosRelatosROR (IC 95%)
NeostigminaCPossível32 de 1437
SugamadexCPossível22 de 1431614.770,2 (3.892,85.845,3)
Atracúriosem registro no BrasilCPossível13 de 44
Cisatracúriosem registro no BrasilCPossível13
Brometo de vecurôniosem registro no BrasilCPossível9 de 57
Rocuroniosem registro no BrasilCPossível9 de 126
Pancurôniosem registro no BrasilCPossível7 de 22
Suxametôniosem registro no BrasilCPossível5 de 18
AtropinaCPossível23472,7 (51,1103,3)
Glicopirrolatosem registro no BrasilCPossível2
GalantaminaCPossível2
FentanilaCPossível18750 (39,463,4)
MorfinaCPossível1123,3 (1,95,9)
DexametasonaCPossível1162,8 (1,74,6)
Edrofôniosem registro no BrasilCPossível1
MetaraminolCPossível1
PetidinaCPossível1
Sulfato de magnésiosem registro no BrasilCPossível1
Piridostigminasem registro no BrasilCPossível1

Artigos: quantos o NLM indexou como bloqueio neuromuscular residual causada por droga, sobre o total de artigos que ligam o fármaco ao quadro. O link abre a mesma busca e devolve o mesmo número. Relatos: notificações no FAERS que citam os dois. ROR: quantas vezes o par aparece junto além do esperado, com o intervalo de confiança de 95%.

O travessão não quer dizer zero: quer dizer que a openFDA não devolve o fármaco entre os mais notificados desta reação, e sem os dois números do FAERS não há ROR para calcular.

O grau de evidência

  • AEstabelecidoa literatura indexada sustenta a causa e tem volume (10 artigos ou mais), e a notificação espontânea mostra desproporção — as duas bases, não uma.
  • BProvávela literatura indexada sustenta a causa sozinha: pelo menos 3 artigos, e a proporção deles sobrevive ao próprio intervalo de confiança.
  • CPossívelhá artigo que indexa o quadro como causado por droga, mas a proporção não separa causa de coincidência — ou o sinal veio só da notificação.

Nada disso é incidência: notificação espontânea não tem quantos pacientes foram expostos, e artigo publicado mede interesse tanto quanto frequência. Um número alto diz que vale perguntar pelo fármaco, não que ele é a causa neste paciente.

Dados de 2026-09-21.