Hepatite por inibidor de checkpoint
Que fármacos causam hepatite por inibidor de checkpoint? Com a evidência mais forte: nivolumabe e pembrolizumabe, entre 19 substâncias.
Transaminases que sobem sem sintoma, semanas a meses depois de começar. Não é hepatite autoimune clássica: o autoanticorpo costuma faltar, e a biópsia mostra infiltrado lobular. Descartar vírus e progressão da doença antes de atribuir.
CID-10: K71.6 — Doença hepática tóxica com hepatite não classificada em outra parte
Fármacos com literatura ou sinal
19 substâncias (16 com registro no Brasil), da evidência mais forte para a mais fraca. Quem entra na lista é quem tem artigo ligando o fármaco ao quadro — o FAERS entra quando tem número.
Este quadro não tem cabeçalho próprio no MeSH, o vocabulário com que o NLM indexa o PubMed — existe na clínica e não no vocabulário. Sem cabeçalho não há onde pendurar o rótulo causado por droga, então a contagem ao lado vem de achar o quadro no título ou no resumo. O link leva à mesma busca. Aqui não há proporção a tirar: o quadro já é medicamentoso por definição, e quem separa o achado do ruído é o número de artigos e o ROR ao lado.
| Substância | Evidência | Artigos | Relatos | ROR (IC 95%) |
|---|---|---|---|---|
| Nivolumabe | AEstabelecido | 17 | 731 | 130 (118,6–142,6) |
| Pembrolizumabe | AEstabelecido | 16 | 693 | 110,3 (100,5–121) |
| Ipilimumabe | CPossível | 9 | 521 | 179,1 (161,9–198,1) |
| Tremelimumabe | CPossível | 6 | 54 | 142,5 (108,5–187) |
| Durvalumabe | CPossível | 6 | 106 | 59,4 (48,9–72,3) |
| Ácido micofenólicosem registro no Brasil | CPossível | 6 | — | — |
| Lenvatinibe | CPossível | 4 | 96 | 33,1 (27–40,7) |
| Infliximabe | CPossível | 3 | 20 | 0,9 (0,6–1,4) |
| Tracolimosem registro no Brasil | CPossível | 3 | — | — |
| Sorafenibe | CPossível | 3 | 1 | — |
| Azatioprina | CPossível | 3 | — | — |
| Atezolizumabe | CPossível | 2 | 188 | 57,7 (49,6–67,1) |
| Paclitaxel | CPossível | 2 | 249 | 30,9 (27,1–35,3) |
| Oxaliplatina | CPossível | 2 | 53 | 7,9 (6–10,3) |
| Metilprednisolona | CPossível | 2 | 68 | 4,4 (3,4–5,6) |
| Dexametasona | CPossível | 2 | 122 | 4,4 (3,7–5,3) |
| Toripalimabesem registro no Brasil | CPossível | 2 | — | — |
| Diclofenaco | CPossível | 2 | — | — |
| Tislelizumabe | CPossível | 2 | — | — |
Artigos: quantos o NLM indexou como hepatite por inibidor de checkpoint causada por droga, sobre o total de artigos que ligam o fármaco ao quadro. O link abre a mesma busca e devolve o mesmo número. Relatos: notificações no FAERS que citam os dois. ROR: quantas vezes o par aparece junto além do esperado, com o intervalo de confiança de 95%.
O travessão não quer dizer zero: quer dizer que a openFDA não devolve o fármaco entre os mais notificados desta reação, e sem os dois números do FAERS não há ROR para calcular.
O grau de evidência
- AEstabelecidoa literatura indexada sustenta a causa e tem volume (10 artigos ou mais), e a notificação espontânea mostra desproporção — as duas bases, não uma.
- BProvávela literatura indexada sustenta a causa sozinha: pelo menos 3 artigos, e a proporção deles sobrevive ao próprio intervalo de confiança.
- CPossívelhá artigo que indexa o quadro como causado por droga, mas a proporção não separa causa de coincidência — ou o sinal veio só da notificação.
Nada disso é incidência: notificação espontânea não tem quantos pacientes foram expostos, e artigo publicado mede interesse tanto quanto frequência. Um número alto diz que vale perguntar pelo fármaco, não que ele é a causa neste paciente.
Dados de 2026-09-21.