Documentação clínica
Escriba de IA em 14 hospitais: um minuto a menos por nota, e o ganho fica com quem usa muito
Em 1,6 milhão de atendimentos, entrar no programa do escriba de IA cortou 1,21 minuto do tempo de escrever cada nota. Quem mais usou economizou 2,5 minutos, mas a nota ficou mais longa e o trabalho fora do horário não mudou.
Por Rosa · · 3 min de leitura
Um sistema de 14 hospitais em Boston liberou para todos os seus médicos de ambulatório, a partir de janeiro de 2025, um escriba de IA que ouve a consulta e rascunha a nota. Um estudo publicado em 27 de outubro na Annals of Internal Medicine mediu o que mudou: o tempo de escrever a nota caiu pouco no geral, e mais em quem usou a ferramenta com frequência.
O que fizeram
Os pesquisadores acompanharam 902 profissionais de ambulatório que se inscreveram na ferramenta: 605 a usaram e 297 se inscreveram sem usar. Entraram na conta 1.637.227 atendimentos com nota, de julho de 2024 a janeiro de 2026.
O desenho é uma série temporal interrompida: compara cada profissional com ele mesmo antes e depois da inscrição, ajustando pelo perfil dos pacientes e pela complexidade da consulta. Uma análise à parte separou quem não usou, quem usou pouco e quem usou muito.
Os números
A inscrição veio junto de uma queda imediata de 1,21 minuto no tempo ativo na nota (IC 95% −1,74 a −0,68). Entre os que mais usaram, a queda foi de 2,50 minutos (IC 95% −3,55 a −1,45): 2,20 minutos a mais de economia que os inscritos que não usaram e 1,72 a mais que os que usaram pouco.
As notas de quem mais usou ficaram mais longas: cerca de 171 caracteres a mais que as de quem não usou e 271 a mais que as de quem usou pouco. Não houve diferença em fechar a nota no mesmo dia, em fechar fora do horário nem na produção medida em unidades de trabalho (wRVU), a régua de produtividade usada nos EUA.
O que muda na prática
O ganho aparece em quem incorpora o escriba à rotina: quem mais usou economizou o dobro da média. O trabalho fora do horário não caiu, e a nota ficou mais longa: o escriba poupa a digitação, mas a revisão continua sendo do médico.
Os limites
É um estudo observacional, sem sorteio: outros fatores podem explicar parte da diferença. Depois da inscrição, os pesquisadores também não conseguiram separar as notas escritas com a IA das escritas só pelo médico. Um dos autores trabalha na empresa dona do escriba; o estudo declara não ter financiamento.
E a Rosa?
O estudo mostra que o escriba ajuda quem o usa de verdade, e que a nota da IA continua precisando do olho do médico. A Consulta da Rosa segue essa linha: grava, transcreve e rascunha a nota, que o médico revisa e edita antes de usar. Ela combina vários modelos de IA integrados, numa arquitetura própria.
Referência: Booth et al. Impact of Unrestricted Artificial Intelligence Scribe Deployment in a Single Health System on Clinician Workload and Productivity: A Quality Improvement Study. Annals of Internal Medicine, 27 de outubro de 2026.