Radiologia e ortopedia
Com a IA ao lado, radiologistas acertaram 21 pontos a mais o estádio da osteonecrose de quadril
Num estudo com raios X de seis hospitais da China, a IA levou o acerto dos radiologistas para perto do dos especialistas. Os especialistas ganharam tempo, não acerto.
Por Rosa · · 3 min de leitura
Sozinhos, radiologistas acertaram o estádio da osteonecrose da cabeça do fêmur em 74,96% dos raios X de quadril. Com a sugestão de uma IA ao lado, acertaram 21,47 pontos a mais. O estudo saiu em 26 de outubro na Lancet Digital Health.
O que fizeram
Os pesquisadores treinaram a IA com 20.722 radiografias de quadril em incidência anteroposterior, de 16.399 pacientes de seis hospitais terciários da China, entre 2015 e 2023. Ortopedistas experientes marcaram cada imagem, separaram a osteonecrose das doenças que se parecem com ela no raio X e classificaram o estádio de Ficat e Arlet.
Depois, num conjunto externo de imagens, radiologistas, ortopedistas em formação e ortopedistas experientes estadiaram as lesões sem e com a ajuda da IA. Num terceiro conjunto, o estádio dado pelo raio X foi comparado com o da ressonância, o padrão-ouro.
Os números
Sem ajuda, os radiologistas acertaram 74,96% dos estádios; os ortopedistas em formação, 83,98%; os experientes, 96,54%. A IA sozinha acertou 96,60%.
Com a IA ao lado, o acerto dos radiologistas subiu 21,47 pontos, e o dos ortopedistas em formação, 12,70. Nos experientes, a diferença de 0,74 ponto não foi significativa (p = 0,080). O tempo de diagnóstico caiu em todos os grupos.
Contra a ressonância, a IA lendo o raio X acertou 96,63% dos estádios.
O que muda na prática
Quem lê pouco quadril ganhou uma segunda opinião de nível especialista num exame barato e disponível; o especialista ganhou tempo. A decisão de pedir a ressonância e de tratar segue com o médico.
Os limites
É um estudo retrospectivo, com imagens selecionadas de hospitais terciários de um só país. Não mediu o que aconteceu com os pacientes nem como a IA se sai na rotina de um serviço. O financiamento foi público, de fundos de pesquisa chineses.
E a Rosa?
A Rosa não lê imagem. Ela combina vários modelos de IA integrados, um escreve e outro confere, numa arquitetura própria, e mostra a referência de cada recomendação, para o médico conferir antes de decidir.
Referência: Wei et al. A deep learning model for detection and staging of osteonecrosis of the femoral head on x-ray images: a retrospective, large-scale, multicentre study in China. The Lancet Digital Health, 26 de outubro de 2026.