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Prática clínica

952 mil clínicos, 271 milhões de perguntas: para que os médicos usam a IA

Um estudo no JAMA mediu 2,5 anos de uso de uma plataforma de IA clínica nos EUA. A maior parte das perguntas era sobre tratamento (33,1%), bem mais que sobre diagnóstico (13,9%).

Por Rosa · · 3 min de leitura

Quando o médico abre uma IA clínica, ele quer saber, mais do que tudo, como tratar. É o que mostra um estudo publicado em 15 de outubro no JAMA, que analisou 271 milhões de perguntas feitas por 952 mil clínicos dos EUA a uma mesma plataforma. O estudo conta uso, não mede acerto, e foi feito com os dados e a participação da empresa dona da plataforma.

O que fizeram

Os pesquisadores analisaram as contas de clínicos com registro profissional verificado, de 1º de janeiro de 2024 a 30 de junho de 2026. Contaram usuários ativos e perguntas, compararam a parte de cada grupo nas perguntas com o peso dele na força de trabalho do país e usaram um modelo de linguagem para classificar o propósito e o tema de uma amostra estratificada de 38,8 milhões de perguntas.

Os números

Foram 952 008 clínicos, 556 200 deles médicos. Os usuários ativos no mês foram de 355 em janeiro de 2024 para 703 265 em junho de 2026, e a média de perguntas por usuário ativo no mês subiu de 18,0 para 39,5. Enfermeiros de prática avançada e assistentes médicos (44,5) perguntaram mais por mês que os médicos (37,1).

Médicos com até dez anos de formado fizeram 2,54 vezes a parte de perguntas que seu peso na força de trabalho previa; residentes e fellows, 1,84 vez. Oncologia e hematologia (2,00), clínica médica (1,88) e medicina de família (1,80) ficaram acima da média; oftalmologia (0,23), radiologia (0,24) e ortopedia (0,24), bem abaixo.

Decisão clínica foi o propósito de 51,9% das perguntas: tratamento e conduta, 33,1%; diagnóstico, 13,9%. As perguntas fora da própria especialidade foram de 35% entre oncologistas e hematologistas a 88% entre os médicos da emergência.

O que muda na prática

A IA clínica já faz parte da rotina, sobretudo de quem está no começo da carreira e de quem atende de tudo, como a emergência e a medicina de família. E o uso se concentra na decisão de tratamento, justamente onde uma resposta errada pesa mais. Por isso, a referência por trás de cada resposta importa tanto quanto a resposta.

Os limites

É um estudo transversal: conta perguntas, não diz se as respostas estavam certas nem se o paciente se saiu melhor. Três dos sete autores são funcionários da OpenEvidence, a empresa dona da plataforma, que forneceu os dados e participou da análise. Só entram clínicos dos EUA, e o propósito das perguntas foi classificado por um modelo de linguagem, numa amostra.

E a Rosa?

A Rosa também responde a perguntas clínicas em português. Ela combina vários modelos de IA integrados, um escreve e outro confere, numa arquitetura própria, e mostra a referência de cada recomendação, para o médico conferir antes de decidir.

Referência: Patel et al. Clinician Use of an Artificial Intelligence-Enabled Clinical Information Platform. JAMA, 15 de outubro de 2026.

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